Arquivo para setembro, 2011

Uma canção triste

Posted in Poemas on 30/09/2011 by Geraldo Maciel

Acorda…

Há duas luas no céu,

brilhantes e indolores,

tornando única a noite.

 

Não tenho muito a oferecer,

mas talvez um dia,

em algum outro lugar,

haja dois sóis.

 

Só sei que por hoje

ainda é possível espantar a escuridão,

levá-la bem pra longe,

e quem sabe esquecê-la…

 

Quisera…

olhar o fundo de novos olhos;

escrever novos poemas;

preencher novos vazios.

 

Acorda…

uma música começou a tocar.

Estrelas acendem e apagam,

mas não estamos mais aqui.

 

Se pudéssemos saber,

faríamos de nossos olhares

imagens de canções antigas.

Daquela canção triste…

 

Uma canção triste

a cortar nossa pele,

a derramar nossa alma

por sobre o tapete.

 

Houve um tempo

em que sonhávamos com canções.

Houve um tempo

em que só havia canções.

 

Hoje,

onde estão as canções?

Acorda… ainda é cedo,

mas vamos buscar nossas canções.

 

Acorda…

Há duas luas no céu.

Quem sabe nelas

eu veja novos olhos.

Anúncios

a short story

Posted in Poemas on 28/09/2011 by Geraldo Maciel

everything’s so fucking confused.

i didn’t want,

i didn’t want this way,

i didn’t mean to pretend.

but i’m here

and nothing that i can say…

 

(silence)

 

forget it!

 

(screaming)

FEEL THE HATE

FEEL THE HATE

FEEL THE HATE

FEED THE HATE INSIDE!

simulacros e simulação II

Posted in Poemas on 21/09/2011 by Geraldo Maciel

simulacros e simulação.

li um poema de uma amiga com esse título;

achei foda

– o título e o poema – .

fiquei pensando na diferença

depois fui assistir matrix

e resolvi escrever um poema todo em minúsculas

enquanto pensava

:

no que estou fazendo aqui,

em qual pílula deveria escolher

se não há um sonho para acalentar as almas

em sua plena insignificância,

nas pessoas que andam por aí em seus carros,

na ostentação,

no discreto charme da burguesia,

nas pessoas que amamos quando acreditamos que todo amor é uma mentira

(todo mundo mente),

na certeza de que não somos nada

e de que a vida é repleta de incertezas

mesmo quando a perdemos sentados na frente da tevê,

na luz negra,

nas canções que não escrevi

e nas que nunca mais cantei,

em tudo que achamos demais para nós

e acabamos desejando com toda intensidade que nosso corpo aguenta,

nos sorrisos indecifráveis,

nos olhos indefiníveis,

nas nuvens que caem,

na dor que nos fazem sentir.

hiato.

tem hora que é melhor não pensar em nada

mas o que fazemos é justamente pensar no nada que entope nossas vidas

traduzidas em simulações,

em acreditarmos em tantas coisas que não somos;

vidas sub-reptícias

procurando alguma verdade agradável,

alguma violência,

alguns de nós,

alguns dos nossos.

da maneira que der

a vida segue.

meus novos acasos

Posted in Poemas on 17/09/2011 by Geraldo Maciel

meus novos acasos

são caminhos que

paralelos

se recusam a evitar-se

 

meus novos acasos

são estradas que

infinitas

se quebram ao tocar-se

 

meus novos acasos

são atalhos que

invisíveis

se escondem ao mostrar-se

 

e mesmo que tente

nem ocasionalmente

consigo fugir

outro

Posted in Poemas on 15/09/2011 by Geraldo Maciel

a questão é sempre outra, não é?

as palavras não sempre outras,

nós, sempre outros.

o inferno são os outros – alguém já disse.

 

mas a dor é a mesma –

essa é sempre a mesma.

os olhos não se abrem

e não parecem ter segredo algum.

 

somos

então

tomados

por

 

nossos próprios medos

nossa própria escuridão

 

oriocontinuaacorrer

no one

Posted in Poemas on 11/09/2011 by Geraldo Maciel

sei que sou um poeta menor

desses que só os amigos leem

e dizem que tudo vai ficar bem

 

no fim das contas

mesmo tendo aprendido a mentir de uns tempos pra cá

sempre escrevo sobre mim

 

escrevo o que sinto

e o que gostaria de sentir

mas que nem sei como se chama

 

não consigo parar

me sinto vivo

enquanto escrevo

 

mas não sei ser alegre

a noite cai o tempo todo

trazendo poemas

 

que ainda não têm nome

Dois sorrisos

Posted in Poemas on 08/09/2011 by Geraldo Maciel

O universo continua a se expandir.

O sol explodirá em alguns bilhões de anos.

As borboletas batem as asas

e o caos está formado.

A fome ainda existe por aqui.

 

Nada vai mudar.

 

Entretanto

há dois sorrisos

que de repente surgem numa tela –

milhares de pixels em que meus olhos se fixam

conseguem me fazer acreditar.

 

Dois sorrisos.

Não há razão qualquer

que possa guiar minha inexata visão

por entre a tela e o papel

enquanto tudo vai ao chão.

 

Dois sorrisos,

além de tudo que há implícito

em gestos que me escapam

por elipses e antigos luares

ou sons em que não posso tocar.

Duas imagens

e a vida pode não ser tão ruim

já que existe naturalmente

um sinal de inescapável fulgor

 

em dois sorrisos

que involuntários flutuam em minha direção.