Arquivo para dezembro, 2011

My dark angel

Posted in Poemas on 15/12/2011 by Geraldo Maciel

Não há, não haverá

maneiras ou possibilidades de explicar

os incômodos significados

do que seria “para sempre”.

 

Embora saibamos

que tudo acabe,

justamente o fim

torna os detalhes eternos.

 

Ainda hoje

tuas asas negras sobrevoam

miragens e campos de flores.

Deixam-se levar pelo vento.

 

E para onde o vento te trará?

Estariam tuas asas cobertas de gelo?

O que teus olhos teriam visto?

Aceitarias meus poemas em teu coração?

 

Não há, não haverá

explicações fáceis, caminhos entre as pedras.

Mas haveria uma chance

de pisarmos entre os girassóis?

 

Existe um inverno que ninguém,

além de nós, pode ver –

às vezes cinza e triste,

mas certamente nosso.

 

E o que vier, daqui para onde for,

o que marcarmos em paredes de concreto,

teus braços tuas asas teus olhos –

é fato: nada vai desconstruir.

 

A chuva cai, maltrata a cidade,

e, entre esquinas bares nuvens,

és impedida de partir.

Todas as saídas se fecham.

 

Abririas mão de tuas asas?

(Uma vez que isso seria

a tradução de uma necessidade

de nunca escapares de meus olhos.)

 

Tua voz ecoa

com o vento.

Estás aqui,

mesmo impossível.

2011

Posted in Poemas on 09/12/2011 by Geraldo Maciel

De tudo

que nós vivemos

que vocês viveram

 

De todos os abraços

e olhares distantes

as palavras

e os silêncios

 

De todos os sorrisos

todas as lágrimas

(algumas por vezes tão intensas)

todos os gritos

e os murmúrios

 

De todos os encontros

todas as despedidas

(as que vieram

e as que ainda virão)

 

Só existe

uma certeza

e ela não é vã:

alguma coisa sempre fica

 

Alguma lembrança

alguma vaga memória

algo que queremos esquecer

 

Alguma coisa sempre nos marca

e é isso que nos torna o que somos

e é isso que nos faz querer ser mais do que somos

além daquilo que não queremos ser

 

É tudo isso

que vai tornar cada um especial

e entre tantas marcas

de tudo que é inevitável

criar a eternidade

enquanto soubermos

que isso não é o fim

 

e que a poesia

de toda a nossa vida

sempre vai sobreviver