Arquivo de junho, 2012

Ainda não há uma resposta

Posted in Poemas on 25/06/2012 by A palavra inaudita

Muitos passos – queria dizer que sem olhar para trás.

Tantos olhos – tantos rostos – tantos.

Não sei nem mesmo qual é a pergunta.

Um soneto

Posted in Poemas with tags , on 12/06/2012 by A palavra inaudita

estaremos nós preparados para

sós em novos olhos nos encontrar?

criar solipsismos, errar, julgar

a nós enquanto a vida nos mascara?

 

rostos voláteis, só mais uma escara.

pálpebras fechando-se, rarear

nossas inquietações, estranho mar

que enche os pulmões, irrompe céus, encara.

 

chamas nascemorrem sob  nossos pés,

a vida acaba ao ressurgir esquiva

segundos depois de saber-se viva.

 

ao ver-se a si mesma em outro viés:

toda essa dor e novas sensações,

espaço tempo novas submissões.

Receita para um poeta

Posted in Poemas with tags on 12/06/2012 by A palavra inaudita

1. Amar as palavras.

2. Ter a necessidade inclemente de se autoviolar

3. Violentar despudoradamente com gritos de prazer e ódio sua própria alma regada com sangue impuro.

O resto é isso.

[sem título]

Posted in Poemas on 03/06/2012 by A palavra inaudita

tem dias em que só é preciso vomitar

colocar pra fora tudo aquilo que deixa o estômago pesado e oprime cada movimento

o problema é que nem sempre isso torna as coisas mais leves

mas ajuda

depois de levar muita porrada na cara

 

o ar fica cada vez mais pesado

quando o vômito sai junto com gritos vindos do lado escuro da alma

alguém ouve e pensa

“esse já era”

e uma porta bate

 

poesia escrita num papel que se deixou cair na água suja

a vida não é mais vida

são só segundos que já não importam mais

enquanto o corpo continua a virar do avesso

querendo que tudo acabe

 

tem dias em que só é preciso vomitar

colocar tudo para fora num buraco e dar a descarga

mandar a vida pelo esgoto

junto com a merda

e com o coração