Arquivo para setembro, 2012

wallflowers

Posted in Poemas with tags , , , , on 16/09/2012 by Geraldo Maciel

sim

é deles que eu gosto

dos excluídos

dos que se sentam sozinhos e ficam olhando as maravilhas das relações sociais

dos que escrevem poesia

dos que esperam ser escolhidos mas depois descobrem que isso não é nem um pouco importante porque todo amor é uma fantasia

dos invisíveis

dos que dançam sozinhos

dos que dançam ao som de suas revoluções

dos que dançam ao som de david bowie

dos que enquanto dançam mandam os outros se foderem

dos que acabam descobrindo que os outros são na verdade grandessíssimos filhos da puta

dos que leem entrelinhas a cinco quilômetros

dos que se fecham em pequenos grupos

dos que se fecham em si mesmos e às vezes perdem as chaves

dos que receberam diversos nomes no decorrer das últimas décadas

dos que acham que a estupidez não é algo do que se orgulhar

dos que olham a si mesmos nos olhos

dos que por vezes sentem vergonha de olhar a si mesmos nos olhos

dos que traem em nome da pureza

dos que arrombam as portas da alma

dos que mudam seu próprio mundo

dos que têm medo da mudança

dos que queriam ser o morrissey

dos que têm dúvidas

dos que teimam

dos que morrem mas no fundo sabem quem são

dos que agora mais do que em outras eras estão aqui

Preso no eterno segundo de um silêncio

Posted in Poemas with tags , on 01/09/2012 by Geraldo Maciel

Estaria eu

desde agora até tempos indefiníveis

e de maneira inconteste

condenado ao silêncio?

 

Ainda há palavras.

Mas, quando ditas,

tomam formas não planejadas

e jamais voltam.

 

Não há pânico.

Não há nada na verdade,

visto que a verdade não é nada,

e sempre falta um verso.

 

Não há nada.

Apenas pânico numa sala escura

em que nada se expõe –

nem mesmo o silêncio.

 

As portas trancadas

e as janelas obliteradas

ganham vida com rimas pobres

e emudecem.

 

A condenação toma corpo

– esquálido e imóvel, é verdade –

mas dói, pois preso

no eterno segundo de um silêncio.