Arquivo para outubro, 2012

então é assim

Posted in Poemas with tags , on 08/10/2012 by Geraldo Maciel

então é este o destino:

acabar as noites com a cabeça enfiada debaixo do chuveiro

tentando resgatar alguma lembrança feliz que não se viveu realmente

porque a verdade foi a cara enfiada por alguns minutos numa privada imunda de um bar vagabundo.

a gente sempre tenta se limpar de mais um vício.

é esse seu destino:

você se senta no balcão desse bar e pede o mesmo uísque toda noite.

é barato, mas funciona.

faz você esquecer algumas coisas ruins e criar lembranças boas de outras coisas.

cara, esse lugar fede, mas pelo menos aqui você pode esquecer.

o problema é chegar em casa e perceber que tudo dói pra caralho e que isso não é uma metáfora.

acho que já deu pra perceber que isso não é um poema.

agora é isso.

é hora de por o disco dos smiths pra tocar.

hora de se imaginar naquele clube.

não adianta nada, você sabe que é cedo e tarde ao mesmo tempo,

você sabe que não vai encontrar quem realmente te ame,

simplesmente porque tem uma hora em que os bares fecham

e você começa a plagiar poemas.

você sabe que só resta se sentar e chorar e querer morrer

e sabe que se você se levantar sua cara vai estar de frente para o espelho e você não quer que isso aconteça, não é?

você não quer se ver.

você troca o disco, quer ouvir the killing moon.

então você não se levanta até ter coragem de encher sua cara no espelho de porrada

enquanto as pessoas que não são você sorriem e têm uma vida.

suas mãos sangram – é alguma cor pelo menos.

você anda descalço pela casa

porque sabe que nunca há esperança de que se tenha aonde ir.

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