Arquivo para junho, 2013

Cemetery Gates

Posted in Poemas on 22/06/2013 by Geraldo Maciel

Andávamos.

Não sabíamos e nunca saberíamos se as ruas estavam vazias ou não.

Dos olhos dela uma energia que arrastava tudo para longe fazia com que os sons se abafassem e não fizessem o menor sentido para nós.

Nossos passos não procuravam mais um destino pois toda a fumaça no ar não nos incomodava.

Nossos passos não procuravam mais um destino e por isso eram intermitentes e intermináveis e paradoxais.

Nossos passos não procuravam mais um destino e naquele momento os portões se abriram.

 

Entramos.

As ruas ficaram presas do outro lado daqueles portões.

Dos olhos dela uma energia que me arrastava para dentro fazia com que nossos sons fizessem todo sentido para nós.

Nossos passos se espalhavam por entre os túmulos e por entre as almas de pessoas cujos nomes eram completamente estranhos para nós.

Nossos passos estacavam diante de uma imagem que nos incomodasse ou que nos fizesse querer que a noite chegasse naquele segundo.

Nossos passos não procuravam mais um destino desde que havíamos nos encontrado.

 

Entre as lápides sentimos o que sempre e nunca sentimos,

com meu braço envolvendo sua cintura e o desejo de que já fosse noite

coberta de vinho e de cigarros.

Um desejo de que já fosse noite

para que suas roupas negras não significassem nada.

Um desejo de que já fosse noite,

de que os portões se fechassem

enquanto recitássemos poemas

e frio e calor tomassem conta de nossos corpos.

 

Então lábios olhos sussurros e sinais

tornariam concretos e eternos

nossos passos em direção à cidade.

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Nossa poesia

Posted in Poemas on 06/06/2013 by Geraldo Maciel

Roubamos o amor para nós e derramamos todo o nosso desprezo sobre o resto do mundo.

Teremos nossas noites e nos perderemos em caminhos que nos afastem de toda a angústia e desamparo.

Encontramos e encontraremos tudo que precisamos dentro de nós.

 

Alma. Corpo.

Nossa poesia.

 

Nossas horas serão eternas e o mundo nunca vai ser suficiente para tudo que queremos.

A música que emana de nós calará toda a mediocridade ao redor.

Ao nos abraçarmos, o fogo descerá das colinas em direção ao mar.

 

Nossa poesia

cobrirá a Terra.