Arquivo para julho, 2013

a salvo

Posted in Poemas on 27/07/2013 by Geraldo Maciel

eu sinto o vento bater no cais de nossa alma

e agitar as águas onde estamos atracados.

 

nenhuma estrada pode nos tirar de lá;

nenhuma estrada conduzirá ninguém.

 

porque somos o que somos

e sempre estaremos onde estamos.

 

mesmo que as ondas tornem-se tempestades,

mesmo que o vento torne-se desespero,

mesmo que o céu desabe aos nossos pés,

mesmo que a terra acabe no inferno,

 

estaremos a salvo

 

porque somos o que somos

e sempre estaremos onde estamos.

Anúncios

Em meus olhos

Posted in Poemas on 17/07/2013 by Geraldo Maciel

Eu vejo seus olhos

me encarando

pela lente.

 

Eu sinto seus olhos

atravessando

a tela.

 

Em seus olhos,

eu vejo que tudo

que não somos nós

 

perde qualquer razão

e vejo nossas razões

em meus olhos.

 

Nós estamos

em seus olhos

sempre que você está.

 

Nós estamos

em seus olhos

mesmo distantes.

 

Tudo que somos

eu vejo

em seus olhos

 

porque seus olhos

são meus

quando você está em mim

 

(e você está em mim

segundo a segundo,

para sempre)

 

e meus olhos

são seus

quando eternamente estou.

 

Em meus olhos

eu me vejo

em seus olhos.

 

Em meus olhos

eu vejo

tudo que há

 

de mais belo,

tudo que há

para meus olhos.

 

os mesmos clichês

Posted in Poemas on 15/07/2013 by Geraldo Maciel

não quero de novo

abusar dos mesmos clichês

pra fazer um poema

sobre passos que esmagam a calçada

envolvidos pela noite

 

o problema

é que tudo está escuro neste lugar

e a luz que nunca se apaga

se afastou por quinhentos quilômetros

e escondeu-se de mim

 

não é o que queremos

não é por vontade

mas é o que é

 

a fumaça do cigarro não esconde meu rosto

o grito não infesta o ar

a escuridão parece não ter fim