Arquivo para julho, 2015

outra vez na estrada

Posted in Poemas on 30/07/2015 by Geraldo Maciel

a estrada ainda pareceu longa

ainda não consegui contar os quilômetros

ainda volto para onde não moro

 

porque o lugar onde moro é abstrato

é um gesto

um abraço

um sorriso

que significam muito mais que sua concretude

 

ainda espero a luz acesa quando chegar

ainda espero a luz abstrata quando chegar

porque a porta ainda está aberta

 

mas agora

há uma sutil diferença

há outra luz dentro de mim

há outra estrada dentro de mim

que podem tornar tudo mais puro

que podem tornar o que há de bom melhor

que podem exilar o que há de ruim

que podem findar a ignorância e o medo

 

e manter a porta aberta

para que haja para onde voltar

Dou-te meu poema

Posted in Poemas on 21/07/2015 by Geraldo Maciel

Dou-te meu poema

para que o sigas aonde quer que ele vá

para que ele o siga aonde quer que vás

 

Dou-te meu poema

porque sei que és um pássaro

porque sei que rasgará os céus

 

Dou-te meu poema

para que ele gravite em torno de ti

para que ele se alimente de tua órbita

 

Dou-te meu poema

porque podes estar em quaisquer céus

porque posso não mais ver onde estás

 

Dou-te meu poema

para que ele nasça sendo teu

para que ele encontre teu ninho

 

Dou-te meu poema

porque ele nasceu sendo teu

porque ele tem seu ninho em ti

 

Dou-te meu poema

para que saibas e

porque sabes

 

Dou-te meu poema

para que ele seja

porque és

 

Alma

Posted in Poemas on 13/07/2015 by Geraldo Maciel

Acordar

e perceber que às vezes não há nada a se fazer

além de esperar o tempo necessário,

sabendo que resta

a busca

por uma alma que às vezes se esconde

e que precisa ser encontrada,

lapidada

e transformada em algo novo.

 

Acordar.

E, enquanto o sândalo perfumar a sala,

saber que existe muito que não se perdeu

entre os cacos que se espalharam.

 

Acordar.

E saber-se

entre tudo que não se sabe.

Eras tu

Posted in Poemas on 08/07/2015 by Geraldo Maciel

Na primeira vez em que vi teu nome, só pude imaginar quem caberia em um nome tão forte e doce ao mesmo tempo. Não sabia quem eras.

Na primeira vez em que vi teu rosto, tudo mudou. Vi que não era teu nome, mas eras tu. Eras aquilo que não podia ser nomeado. Eras aquilo com que eu havia sonhado. Teu nome, forte e doce, era insuficiente para te nomear.

Enquanto caminhavas em minha direção, eu sabia que teus passos causariam avalanches e que qualquer montanha tremeria sob teus pés. E eu acreditei.

Acreditei que seríamos tudo que o mundo nunca viu. Acreditei que serias o motivo de meus versos e de meus roubos a outros poetas.

Acreditei que arrombarias todas as portas da minha vida e que as fechasse somente quando quiséssemos ficar sós.

Acreditei naquele dia, acreditei em todos os outros dias e ainda acredito.

Nunca deixarás de ser o que foste para mim: magnífica demais para caber em teu nome.

Por mais ou por menos que tenhamos feito, agora sei que consigo conter minhas explosões, canalizar algumas e liberar outras: apenas as que nos façam bem.

Porque sei que minhas explosões mais bonitas eras tu. As incômodas… não serão mais vistas.

Reformo agora a casa que existe dentro de mim, para que nela caibas plenamente – com o tamanho e a força de um nome em que não cabes. Com tua doçura. Com tudo que és.

Pequeno furto a Manuel Bandeira

Posted in Poemas on 02/07/2015 by Geraldo Maciel

O que amo em ti não é tua beleza

Mas a beleza que há em ti

Não amo tuas formas perfeitas

Mas a perfeição de seus detalhes

Não amo tua voz quando cantas

Mas as canções que nascem em tua voz

Não amo quando toco tua pele

Mas a tua pele e sua intangibilidade

Não amo a cor de teus olhos

Mas a profusão de cores que eles criam

Não amo teu jeito de caminhar

Mas o caminho que percorres em mim

Não amo tua pureza

Mas a tua purificação

Não amo tua vida

Amo apenas tua plenitude

Na estrada

Posted in Poemas on 02/07/2015 by Geraldo Maciel

Hoje a estrada pareceu mais longa

Não consegui contar os quilômetros que faltavam para chegar

como antes eu costumava fazer

Porque cada quilômetro que passava

antes significava que estava mais próxima a hora de voltar

Então eu recontava os quilômetros do caminho de volta

que eram exatamente os mesmos

mas que naqueles instantes me traziam de volta para casa

.

Hoje a estrada pareceu mais longa

porque não contei os quilômetros

.

Porque não havia para onde voltar